Introdução ao cyberbullying.

A tecnologia digital está se tornando ubíqua em nossa sociedade. A grande maioria das pessoas agora viajam com pelo menos um dispositivo em seu bolso. Isso tem as suas vantagens, já que as pessoas podem obter acesso a informações em tempo real e também se comunicar com seus contatos sociais e com seus colegas profissionais. Também é útil para receber informações sobre as atividades do dia-a-dia, como tempos de viagem, clima, e localização geológica. E essa moda vai continuar assim enquanto novas tecnologias continuam a se desenvolver.

Segundo uma pesquisa do PEW Research Center datada de 2015, 68% dos americanos possuíam smartphones, e 45% deles possuíam tablets. Não há dúvidas de que este número deve ter crescido. 85% das mães afirmam que elas usam a tecnologia para passar o tempo de seus filhos. 86% das pessoas entre 18 e 29 anos de idade possuem smartphones. Várias crianças e adolescentes terão um smartphone e um tablet, enquanto ainda possuirão acesso a um computador em casa, na escola ou em lan houses. Os dispositivos tecnológicos vieram para ficar, e eles podem ter efeitos positivos ou negativos dependendo de como são usados.

Infelizmente, o acesso prolongado à era digital trouxe uma série de desvantagens. E uma delas foi o aumento de cyberbullying, ou bullying virtual. O acesso 24 horas às tecnologias digitais não é uma vantagem quando essa tecnologia está sendo usada para agredir ou discriminar contra uma pessoa. Isso pode se tornar uma situação horrível quando há crianças sendo agredidas a toda hora, com medo de ligar os seus dispositivos em razão do que elas podem encontrar. O papel dos pais é ficarem atentos aos perigos do acesso prolongado a esses tipos de tecnologia.

O que é cyberbullying?

Talvez seja um pouco complicado trazer uma definição técnica do que é o cyberbullying. Isso pelo fato de que o cyberbullying é geralmente um fenômeno que vai de pessoa em pessoa. O agressor pode não perceber que o que ele ou ela está fazendo é na verdade bullying virtual, e pode até imaginar que tudo não passa de uma piada. E a vítima pode simplesmente ser uma criança mais sensível do que as outras. O cyberbullying, assim como o bullying tradicional, pode ser algo difícil de se entender e de se resolver.

Algumas universidades já trouxeram uma definição simples, afirmando que o cyberbullying é simplesmente uma forma de bullying que ocorre em meios digitais. Esses meios digitais incluem primeiramente os fóruns, as mídias sociais e os serviços de bate-papo. Os agressores virtuais são geralmente pessoas anônimas e podem agredir tanto em grupos quanto individualmente.

O bullying tradicional agora foi para o mundo online, e fez com que os agressores continuassem a sua onda de terror com mais facilidade. O que é ainda mais preocupante é que a criança geralmente não terá mais como se refugiar em casa ou em nenhum outro lugar. Se ela estiver em posse de um dispositivo, não há escapatória. O que inicialmente era um fenômeno isolado agora pode ser levado a qualquer lugar, a qualquer hora, graças à tecnologia.

Atualmente nos Estados Unidos, não existem leis que previnem o cyberbullying. Não há remédio a nível federal, embora vários estados tenham incrementado as leis de bullying para cobrir o bullying virtual. A natureza do cyberbullying pode ser bem difícil de ser resolvida. Ela retrata duas pessoas que são bem jovens e desconhecem as consequências de seus atos, tornando os remédios legais bem inapropriados mesmo quando há casos de cyberbullying. É de responsabilidade da escola fazer o melhor possível para educar as pessoas sobre o cyberbullying e preveni-lo quando possível. Também devem haver restrições para as mídias sociais e outros sites nas escolas. Quando houverem incidências de cyberbullying, todas as escolas devem fazer uma investigação mais a fundo e resolvê-las. Apoio deve ser oferecido aos pais e aos guardiões legais durante este processo.

O cyberbullying pode ser um fenômeno predominante entre crianças de 9 a 14 anos de idade, e de acordo com o Cyber Bully 411, 40% das incidências de cyberbullying ocorrem em serviços de mensagem instantânea, 29% ocorrem em jogos online e 30% ocorrem em sites de mídias sociais. Quando se trata dos vídeo-games, o cyberbullying geralmente não é nada pessoal. Os jogadores mais velhos geralmente abusam o seu linguajar se forem “mortos” por alguém em jogos de tiro ou se outro jogador não atuar de acordo com os princípios publicamente aceitos por esse jogador em particular. Esses jogos geralmente possuem um efeito negativo sobre a personalidade de um indivíduo que os torna mais agressivos, especialmente em jogos de tiro. Já que esse tipo de abuso é geralmente feito de forma verbal através de dispositivos sonoros, não há nenhum registro de suas incidências, e ainda assim, a criança ou o adolescente pode nem sequer conhecer a pessoa. O agressor pode estar localizado em qualquer parte do mundo.

Estatísticas e tendências do cyberbullying

Há algumas estatísticas sobre o cyberbullying que devem ser destacadas, e elas indicam com precisão que este fenômeno está se tornando uma epidemia. É um tipo de preocupação bastante séria que não deve ser ignorada, ou que as crianças podem simplesmente “superar”.

  • 34% dos alunos sofrem com o cyberbullying uma vez em sua vida.
  • As meninas têm o dobro de chances de serem vítimas de cyberbullying.
  • As vítimas do cyberbullying possuem maior risco de depressão, mesmo se comparadas de perto com as vítimas do bullying tradicional.
  • As crianças têm 7 vezes o número de chances de serem vítimas de bullying virtual por conta de seus amigos do que de um estranho.
  • As crianças vítimas de bullying têm 9 vezes o número de chances de se tornarem vítimas de roubo de identidade.
  • 70% dos alunos alegam sofrer bullying frequentemente online.

Os agressores virtuais não usam a internet para encontrar novas vítimas, eles geralmente usam a tecnologia digital para agredir pessoas que eles já estão agredindo em suas escolas. De acordo com uma pesquisa do Warwick, 99% dos alunos já sofrem com o bullying independente das novas tecnologias, enquanto a era digital adicionou apenas um por cento a mais. O que isso realmente indica é que as tecnologias digitais não são o problema. Mas que elas pioram o problema ainda mais do que antes. Se o problema puder ser resolvido na escola, então ele não ocorrerá em casa. As plataformas digitais simplesmente não passam de uma ferramenta para alcançar as vítimas existentes. As estatísticas sobre os adolescentes que são agredidos online e na vida real são bem parecidas. As qualidades mais relatadas como motivo para a agressão dos alunos são a sua aparência (27%), a sua raça (10%), a sua etnia (7%), o seu sexo (7%), suas deficiências (4%), sua religião (4%) e sua orientação sexual (3%) como relatado pelo Centro Nacional de Estatísticas de Educação Americano em 2017.

Outra tendência que continua a ocorrer é que as vítimas de bullying tipicamente crescem e se tornam autores de bullying elas mesmas. As meninas continuam a ter mais chances de relatarem que estão sofrendo bullying virtual. E ainda mais frequente é que o cyberbullying ocorre quando outra pessoa é vista de alguma forma diferente. O contexto cultural da escola pode ser o que influencia na formação dos autores de bullying.

Geralmente, há 4 formas principais de se praticar bullying. Essas são o bullying em mídias sociais, as agressões, o incentivo e a exclusão. O bullying em mídias sociais é o bullying que ocorre em plataformas sociais, como o Facebook ou o Twitter. As agressões são a repetição de ameaças que ocorrem através de diferentes meios, tanto em grupos quanto individualmente. O incentivo é a humilhação e a ridicularização pública contra certos indivíduos, para que outras pessoas vejam, tanto online quanto offline. E a exclusão é quando o indivíduo é ignorado ou não é convidado a eventos sociais. A vítima pode então ser ridicularizada entre esse grupo de pessoas sem que a vítima saiba. O incentivo é a forma mais humilhante e pode traumatizar a criança ou o adolescente por mais tempo que as outras, dependendo da duração da ocorrência. Mas a exclusão pode ser a forma mais difícil de ser denunciada e resolvida, já que ela é quase impossível de ser provada. Por exemplo, alguém pode ser excluído de uma lista de amigos ou não ser convidado a um evento, o que pode não ser exatamente uma agressão por conta da criança ou do aluno.

Por um lado mais positivo, embora a ocorrência de cyberbullying esteja aumentando, o bullying tradicional esteve em queda por vários anos. Embora tenha sido bem mais comum nas décadas anteriores, há um número bem menor de violência física do que no passado. De acordo com o Escritório de Estatísticas de Justiça Americano, os crimes de violência contra os adolescentes chegaram a um mínimo histórico em 2014. Além disso, uma pesquisa realizada pelo Departamento de Educação Primária e Secundária de Massachusetts descobriu que houve uma queda de 22% nas ocorrências de bullying no estado de Massachusetts entre 2003 e 2011. A complicação de denunciar o cyberbullying vem do fato dele ocorrer com mais frequência em serviços de mensagem instantânea. Essas mensagens são encriptadas e pessoais, vindo de serviços como o Facebook Messenger, o WhatsApp, o Line, o WeChat e o Snapchat. Portanto, não há nenhum registro conclusivo a não ser que você ponha as mãos no dispositivo do seu filho e olhe as mensagens, e tire uma foto como evidência. Os e-mails e os comentários públicos são bem mais fáceis de serem documentados.

De acordo com o Centro de Prevenção de Doenças Americano, 15% dos alunos de colégio sofrem com o bullying virtual e 20% deles sofrem com o bullying na escola. O número de pessoas que já sofreram com o cyberbullying uma vez em suas vidas quase duplicou entre 2007 e 2016, de acordo com o Centro de Pesquisa sobre Cyberbullying.

Como prevenir o cyberbullying

O cyberbullying está se tornando cada vez mais um motivo de preocupação frequente. Felizmente, ele está sendo conscientizado pelo público e alguns passos podem ser seguidos para prevenir que ele ocorra com mais frequência.

O papel do pai é estar conectado com as emoções e os pensamentos do filho ou do adolescente, e perceber se o menor está com depressão ou agindo de forma estranha. Se o seu filho admitir que está sendo vítima de bullying online ou na escola, então isso já é um passo de sorte. A maioria dos adolescentes e das crianças jamais admitem tal coisa para os pais, e as estatísticas demonstram que caso eles venham a admitir, é mais provável que seja para os amigos ou para os irmãos. Os menores do sexo masculino são bem menos prováveis de confiar em alguém para admitir que são vítimas de bullying. Pode haver um número imenso de razões pelas quais a pessoa age de tal maneira mesmo com a exceção do cyberbullying. O primeiro passo sempre deve ser identificar o problema. E quanto mais cedo o problema for identificado e trazido à tona, melhor. Você terá que perguntar ao seu filho se ele sofreu bullying ou foi vítima de agressões. Ou perguntar a um professor, que também tem a responsabilidade de denunciar essas ocorrências na escola, assim que surgirem.

Dependendo da idade da criança ou do adolescente, a melhor medida preventiva a ser tomada talvez seja limitar o acesso às tecnologias o melhor possível. Há um número crescente de evidências científicas que sugerem que as crianças abaixo dos 7 anos de idade não devem ter acesso prolongado a nenhum dispositivo tecnológico. O fato é que esses dispositivos aumentam as ocorrências de cyberbullying, e o mundo online simplesmente não é um lugar que a criança está preparada para visitar. Além disso, há vários efeitos negativos contra a saúde das crianças e dos adolescentes que usam esses dispositivos tecnológicos por períodos de tempo prolongados. Graças à rapidez com a qual a tecnologia se desenvolve e à modernidade dos dispositivos digitais, não houveram estudos a longo prazo sobre as consequências do uso prolongado de smartphones, WiFi, iPads ou outras tecnologias. As crianças mais jovens, principalmente, devem ter uso bastante limitado a tais tecnologias.

Uma forma melhor de limitar o acesso a esses dispositivos é bloquear os sites que podem ser vistos pelo filho ou adolescente. Você pode fazer isso através do seu provedor de Internet, isso quer dizer que todos os dispositivos que você possui em casa serão obrigados a seguir as mesmas regras de restrição e ter tais sites bloqueados. Isso é parecido com as empresas que possuem listas sobre os sites de acesso permitido e também regras sobre o download de tais arquivos e aplicativos. Se você vai comprar um smartphone para o seu filho, há vários aplicativos de controle para os pais que podem ser baixados. O Keepers, por exemplo, é um aplicativo que notifica os pais sobre mensagens suspeitas ou prejudiciais e que também vem com um rastreador para mostrar a localização da criança em tempo real. É realmente bem fácil pôr restrições nos sites que as crianças acessam e prevenir o pior. Porém, há algumas barreiras técnicas ao longo do caminho. Essas restrições podem ser:

  • Usar o controle de pais nos consoles de vídeo-game. Os jogadores geralmente conversam e trocam mensagens nos vídeo-games. Crie uma conta para o seu filho, e limite as pessoas com quem ele pode conversar e fique de olho no conteúdo do jogo.
  • Aprenda a usar os controles de pais de todas as mídias sociais, como o Twitter, o Facebook e o Instagram.
  • Eduque os seus filhos sobre esses controles. É fácil bloquear uma pessoa nas mídias sociais, nos vídeo-games e até mesmo nas chamadas de telefone. Se o seu filho estiver sofrendo agressões online, peça para que ele simplesmente bloqueie o agressor. Os endereços de e-mail também podem ser bloqueados.
  • Se alguém hackear a conta do seu filho ou estiver fingindo ser o seu filho online, você pode alterar a senha ou entrar em contato com o site para denunciar tal ocorrência. Grande parte dos sites principais são realmente bem úteis quando se trata da segurança do seu filho.

Além do cyberbullying, não seria má ideia impor algumas regras para os filhos ou adolescentes quanto ao uso das tecnologias. Essas regras podem ser sobre como salvar as senhas, ter cuidado quando com os contatos pessoais, recusar convites de amigos que não conhecem, não ficar usando o celular de noite, não usar o celular no carro ou no meio de outras tarefas e também não compartilhar o endereço de e-mail, a data de nascimento ou o nome completo tanto online quanto offline. Você também deve dar um bom exemplo para o seu filho ou adolescente. Isso porque eles geralmente seguem os hábitos dos pais. Esses hábitos e exemplos vão ficar gravados na memória deles pelo resto de suas vidas, então é uma boa ideia começar a seguir as melhores práticas de como prevenir tais ocorrências bem cedo.

Uma das melhores formas de garantir a segurança online do seu filho ou adolescente é com o uso de uma boa Rede Virtual Privada (VPN). Essas VPNs agora são bem fáceis de serem instaladas e também têm preço razoável. O que elas fazem é encriptar a conexão de rede, para que os hackers não monitorem o que a criança ou o adolescente está fazendo online. Elas também vão ocultar as informações sobre o seu provedor de Internet para que os seus dados não sejam roubados e vendidos para as organizações comerciais, e também vão proteger as suas informações contra os sites que tentam colher os dados de suas atividades online. Atualmente, há uma grande variedade de VPNs disponíveis para os clientes e todas elas possuem configurações de proteção máxima. Educar o seu filho sobre como usar uma VPN pode ser uma das melhores coisas que você pode fazer para que eles se acostumem com a segurança online, já que isso é uma tecnologia que vai acompanhá-lo durante vários anos. Já foi comprovada por profissionais de segurança como uma das melhores técnicas para se manter seguro e anônimo online. Algumas das melhores VPNs são IPVanish, ExpressVPN, NordVPN e outras.

O que fazer se o seu filho for uma vítima de cyberbullying

O guia a seguir foi feito para os pais que desejam garantir a segurança do seu filho numa ocorrência de cyberbullying. Se o cyberbullying já estiver em ação, então as medidas preventivas são inúteis. Obviamente, ainda é uma boa ideia tomar os dispositivos ou remover o acesso às mídias sociais onde o dano foi causado. Esses passos ainda podem ser úteis.

Mas quando o cyberbullying é frequente, o primeiro passo absoluto é conversar com o filho para garantir que ele está mentalmente, emocionalmente e fisicamente bem. Há algumas dificuldades, e pode ser bom se você levar o filho ou adolescente para comer algo ou para se divertir em um evento. Assim, eles podem conversar mais abertamente, já que é importante descobrir a natureza do próprio cyberbullying. Você também pode aconselhar o seu filho e dizer que ele pode se defender quando a situação é frequente. E o mais importante, aconselhe ele a denunciar o cyberbullying quando isso ocorrer. Em alguns casos, pode ser boa ideia tirar a criança da escola por alguns dias. O bullying e o cyberbullying são situações bem pessoais e os pais, junto com os filhos e os professores, devem trabalhar juntos para conseguir o remédio mais apropriado.

Assim que você juntar o máximo de informações possíveis, o melhor caso será conversar com o professor para entender a situação melhor. Você também pode falar com os pais da outra criança se possível e entrar em um acordo. Isso é um passo muito importante, já que os pais do agressor precisam saber o que o seu filho está fazendo. Será ainda melhor se o pai do agressor tentar impedir que o seu filho acesse as tecnologias digitais, para que ele não continue a fazer tais agressões. Se o professor e/ou os pais não entrarem em um acordo para resolver o problema, então a única outra alternativa pode ser transferir o seu filho a outra instituição.

Além disso, o agressor pode ser facilmente removido dos sites de mídias sociais como um amigo ou contato, já que todos os sites oferecem uma opção de bloquear os contatos, até mesmo os provedores de e-mail. Se você não está recebendo nenhum suporte do professor ou dos pais para resolver o problema, então isso é a única coisa a se fazer. A escola é a origem do cyberbullying. Há ocorrências que são tão prejudiciais à saúde da criança quanto o cyberbullying, que mesmo transferi-la para outra escola se torna uma opção bem melhor do que deixar a situação como está.

Há algumas informações que você pode dividir com o seu filho em caso de bullying. O primeiro passo é garantir que ele saiba que isso é comum e que acontece com várias pessoas diferentes. Certifique-se de lembrar à criança ou ao adolescente de que nada é culpa deles e de que há vários serviços disponíveis para ajudá-los se necessário. Pesquisas mostram que se uma criança acreditar que a culpa é dela, isso acontecerá com mais frequência, e a auto-estima da criança vai se acabar aos poucos. Também é de extrema importância dividir todo o possível do que você faz com o seu filho. Se você organizar uma reunião secreta com as autoridades da escola e a criança descobrir, isso só lhe trará mais problemas.

As vítimas dizem que o que mais ajuda é simplesmente quando há alguém para ouvi-las. Isso ajuda elas a se desfazerem das emoções reprimidas que podem levar à depressão e à infelicidade. Um bom gesto é lembrar à criança que isso lhe ensinou uma lição valiosa e que agora ela estará mais forte por causa disso.

Lembre-se de salvar e documentar todas as provas possíveis. Isso é uma das vantagens que o cyberbullying oferece comparado ao bullying físico, poder ser mostrado ao professor e aos pais do agressor. As duas crianças terão opiniões bastante diferentes do ocorrido, sendo difícil de saber exatamente o que aconteceu. Tire fotos com o seu celular ou dispositivo móvel e salve todos os dados em uma pasta protegida. Isso é semelhante aos procedimentos de um policial investigando provas incriminadoras. Porém, vale a pena lembrar que o seu objetivo não é fazer “justiça” ou fazer com que a outra criança seja “punida”. Seu objetivo é resolver um conflito e não incentivar o punimento de um “infrator”.

Embora pareça boa ideia simplesmente tomar o celular e bloquear todas as contas possíveis para impedir o cyberbullying, isso geralmente não é a medida mais apropriada. Em primeiro lugar, porque você está punindo a criança ou o adolescente apesar do fato de que ele não tenha feito nada de mal. A partir disso, o seu filho vai imaginar que está sendo punido por não fazer nada e vai permanecer a ideia de que a culpa é dele. Além disso, isso pode não ser muito eficaz, já que a tecnologia digital está por toda parte. E em terceiro lugar, quando um meio social é banido, o problema simplesmente migra para outro lugar. O problema principal precisa ser resolvido. Ele não pode simplesmente desaparecer se for ignorado, e isso não é uma lição boa de se ensinar às crianças e aos adolescentes.

Ademais, nunca é uma boa ideia agir de forma rápida e imprudente. Já que o “agressor” que está postando um comentário prejudicial pode ser na verdade uma vítima de bullying físico em sua escola. O melhor a se fazer é ser direto e claro o máximo possível, reunindo os pais, os professores e as crianças envolvidas para entender melhor o que aconteceu.

Uma outra ideia é estudar algumas das medidas mais eficazes comprovadas por estudos para prevenir e acabar com o bullying e o cyberbullying. Uma dessas estatísticas demonstra que 57% do cyberbullying acaba quando um colega interfere na ação a favor da vítima. Portanto, certifique-se de que a criança possui um grupo de amigos com quem contar, isso pode ser uma boa medida preventiva. Em vários casos, agredir uma certa criança pode ser visto como algo normal, e as crianças que se recusam a participar dessa ação em grupo podem estar com medo de serem vistas da mesma forma, formando um ciclo. Porém, tudo o que leva para quebrar esse ciclo é provar aos outros que o bullying não é nada legal. Os atos dos colegas das vítimas de bullying são geralmente considerados mais úteis do que os dos professores ou dos adultos, até mesmo com as próprias mãos para resolver o conflito. Se os colegas ouvirem a vítima, ajudá-la a fugir, conversar com ela, passar um tempo com ela, distraí-la, falar com um adulto ou pedir para que o agressor pare, isso é visto de forma bastante útil pelos olhos da vítima. Toda pesquisa indica que o pior efeito negativo que o bullying tem sobre as vítimas é fazê-las sentir que estão sozinhas de alguma forma, e qualquer ato de caridade feito por um colega pode ser de ajuda tremenda para acabar com essa imagem de solidão e isolamento. Já os atos que tentam mudar a atitude do agressor são bem menos eficazes do que a interferência de um colega ou de um adulto.

Junto à interferência de um colega, o que pode ser algo bem difícil de ocorrer em caso de bullying, os sistemas de prevenção das escolas podem diminuir as ocorrências de bullying em até 20% a 23%. Portanto, se a sua escola não possuir um sistema disponível, desabafe sobre as suas preocupações e comece a exigir que tal sistema seja implementado. Se você acredita que houveram consequências graves graças ao bullying ou ao cyberbullying, há vários serviços disponíveis que podem ajudar as crianças e os adolescentes, como centros de ajuda e de aconselhamento.

As consequências do bullying

Já foi bastante comprovado que o bullying e o cyberbullying possuem vários efeitos negativos sobre a saúde emocional e mental das vítimas. Aqueles que sofrem com o bullying terão notas mais baixas na escola, e um maior risco de desenvolver ansiedade, insônia e depressão. Terão mais riscos de desenvolver doenças comportamentais mentais e físicas e, além disso, muitos dizem que o bullying possui um efeito negativo sobre a auto-estima das vítimas. As suas relações podem ser destruídas, e tais vítimas possuem o dobro de chances de sofrerem com efeitos negativos sobre a sua saúde. Há uma relação comprovada e preocupante entre o bullying e o desenvolvimento de doenças psicossomáticas. O mais interessante é que o simples ato de presenciar o bullying também possui efeitos negativos comprovados sobre a saúde das testemunhas.

Grupos vulneráveis

Como já mencionado, aqueles que sofrem com o bullying tendem a ser vistos de forma diferente. Embora o bullying seja uma ocorrência isolada, há certos grupos de pessoas que têm mais chances de sofrerem com o bullying do que os outros. Um grupo em especial que se destaca é a comunidade LGBT. Este grupo tem o dobro de chances de sofrer com o bullying se comparado com os outros. Os outros grupos em risco são as pessoas jovens com deficiências físicas ou mentais. Os pais são aconselhados a prestar mais atenção em seus filhos se eles se encaixarem em alguma dessas categorias, e a tomar mais medidas para prevenir o cyberbullying e a incentivar o apoio social entre as outras crianças se possível. Embora esses grupos sejam mais vulneráveis do que os outros, o cyberbullying pode ocorrer independente da personalidade da vítima. As pessoas tímidas, as confiantes, as que vencem concursos de beleza, as celebridades, as obesas, as magras, todas elas podem ser vítimas do cyberbullying.

Vale a pena mencionar que o bullying não se limita apenas a crianças e adolescentes. Uma pesquisa de 2014 nos Estados Unidos destacou que 27% dos trabalhadores americanos fizeram denúncia de bullying no trabalho, embora os adultos tenham menos chances de sofrerem com o bullying online depois disso, por inúmeras razões.

Guia de cyberbullying para os pais – resumo de prevenção

A seguir, está uma lista dos passos a serem seguidos para reduzir o cyberbullying.

  1. Para as crianças mais jovens, limite o acesso a todos os tipos de dispositivos tecnológicos por quanto tempo possível. O acesso prolongado a esses dispositivos pode resultar em efeitos negativos desconhecidos sobre a saúde dos seus filhos.
  2. Implemente um sistema de controle de pais em todos os dispositivos e decida as horas de quando eles podem ser usados. Fique atento às coisas que o seu filho ou adolescente pode estar vendo em jogos de vídeo-game. Os sites para adultos também devem ser restritos na Internet de sua casa.
  3. Certifique-se de que o seu filho possui um grupo de amigos com quem ele pode contar e laços sociais bastante fortes. Você pode fazer isso marcando uma hora para eles brincarem, praticarem esportes, ou fazer qualquer outra atividade. Essa pode ser uma das medidas mais eficazes para prevenir o cyberbullying, já que isso pode minimizar a ideia de que a criança é diferente das outras através de uma atividade onde todo mundo brinca igual. Ter um grupo de amigos também pode prevenir a ocorrência de bullying, que leva à ocorrência de cyberbullying. Isso também aumentará as chances de que alguém intervenha caso o seu filho sofra bullying online ou offline, como comprovado pela grande maioria das pesquisas disponíveis.
  4. Pergunte à escola quais medidas de prevenção contra o bullying e o cyberbullying ela oferece. E se não houver nenhuma, pergunte o por quê.

Guia de cyberbullying para os pais – resumo

Se o seu filho já estiver sofrendo com o cyberbullying, então siga os passos a seguir.

  1. Converse com o seu filho e lhe dê um pouco mais de atenção. Faça com que ele saiba que ele não está fazendo nada de mal.
  2. Ouça com atenção ao seu filho e tente entender a situação. Isso foi comprovado pelas crianças e pelos adolescentes como a medida mais útil. Quanto mais pessoas houverem para conversar com eles, melhor.
  3. Salve o quanto você puder de provas e depois fale com os professores e com os outros pais. Não haja de maneira imprudente, tente entender melhor a situação. Agora que a situação está sendo investigada, ela certamente será resolvida.
  4. Espere algumas semanas até que a situação seja resolvida. Em alguns casos raros, o professor ou o pai do agressor pode não lhe dar apoio. Se este for o caso, então transferir a criança para uma escola diferente pode ser a única opção, além de ser uma medida mais pacífica e proativa de resolver o problema. Há certas coisas que são tão prejudiciais quanto o bullying à saúde e ao bem-estar de uma criança ou de um adolescente.

A solução contra o cyberbullying

Em um mundo onde a tecnologia digital está se tornando cada vez mais predominante, os pais e os guardiões legais têm o dever adicional de prestar atenção nos perigos desse mundo. Isso significa que eles devem ser mais proativos e limitar o acesso aos dispositivos tecnológicos, assim como impor um sistema de controle de pais rígido em todo aparelho tecnológico que possuírem, dependendo da idade e da personalidade do filho ou do aluno em questão. O acesso pode e deve ser limitado, com horas agendadas para o seu uso, e monitorando as coisas que são vistas pelos filhos. Não é uma boa justificativa se sentar e deixar que as crianças ou que os alunos vivam a vida soltos em um mundo cibernético só porque a tecnologia está se tornando cada vez mais ubíqua.

Entretanto, a melhor solução permanece como a de sempre. Uma colaboração participativa entre os pais do agressor e da vítima, tendo a escola atuando como um mediador. Os laços sociais fortes das crianças também são de extrema importância em qualquer comunidade para o bem da saúde mental e emocional dos indivíduos de tais comunidades.